sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Língua Latina e Língua Portuguesa: Analogias e Contrastes I

No primeiro dia de aula, 06/02/20010, Flora Simonetti fez a apresentação de sua disciplina, Língua Latina e Língua Portuguesa: analogias e contrastes sintáticos, falando sobre os principais temas que serão abordados ao longo do curso.

Um dos primeiros pontos abordados foi o resquício do particípio presente latino no Português. A professora deu o exemplo dos adjetivos derivados de verbos que possuem nt em sua terminação, como fervente (que ferve) e amante (que ama). Foi destacado que o português conserva o particípio passado, como amada no exemplo “Flora, amada por todos, chegou”.

Ainda falando sobre formas verbais, críticas foram feitas em relação à maneira como se denominam certas formas verbais em português. Por exemplo, orai é uma forma genuinamente imperativa, visto que quem diz isso está dando uma ordem, fazendo um pedido ou dando uma sugestão aos ouvintes. Entretanto, a forma verbal oremos não se trata de modo imperativo, mas da 3ª pessoa do presente do indicativo exortativo. É possível que o falante opte pela forma oremos na tentativa de dar um tom menos impositivo à sua fala.

Segundo análise da professora, o futuro do pretérito não deveria pertencer ao modo indicativo, visto que este modo dá conta das certezas e não das possibilidades. No exemplo “Iria à escola se não chovesse”, a forma iria deixa claro que a ida à escola não dependia apenas da vontade do falante, mas de um fator externo, no caso a ausência de chuva. Registra-se que havia nas gramáticas de português no Brasil o modo condicional, que apresenta a ação, a qualidade ou o estado como dependentes de uma condição.

Observou-se também que o aposto nunca será um adjetivo, mas sempre um substantivo. No exemplo “Lula, presidente do Brasil, está terminando seu mandato”, tem-se o substantivo presidente como núcleo do aposto.

Outro ponto interessante desta aula foi a ressalva de que, para se analisar precisamente uma oração reduzida, faz-se necessário transformar o que está implícito em uma forma explícita. Por exemplo, para analisar a oração “Tendo feito exercícios, fui aprovado no exame”, é necessário que se desenvolva o que está reduzido. A oração desenvolvida Depois que eu fiz exercícios indica que tal oração é subordinada adverbial temporal.

Para encerrar, foi feito um esclarecimento sobre o que seria latim clássico e latim vulgar. A professora explicou que o Latim era uma única língua e não duas, como muitos pensam. O latim clássico era a modalidade usada nos ambientes que cultivavam a forma mais apurada da língua e o Latim vulgar era a língua que o povo usava nas situações do cotidiano. Destacou-se que o Latim eclesiástico trata-se do Latim clássico ligeiramente alterado em sua sintaxe, visto que o objetivo da Igreja era oferecer uma linguagem fácil, para que o Evangelho atingisse o maior número possível de pessoas.

Ao falar sobre as pronúncias do Latim, a professora Flora deixou claro que a pronúncia reconstituída, como qualquer coisa reconstituída, possui algo das pessoas que fizeram a reconstituição e se distancia da pronúncia original. Ficou claro que é leviano dizer que os italianos falam Latim como se fosse italiano, porque esta língua deriva daquela. Portanto, o italiano tem sua pronúncia originária do Latim, e não o inverso.

No final da aula, a professora disse que em momento oportuno disponibilizará bibliografia e apostila para que se acompanhem suas aulas de forma mais organizada. No encerramento, foi dito aos alunos que resumos de cada aula devem sem feitos e entregues à professora na aula seguinte, como instrumento de avaliação. Este resumo trata-se do primeiro a ser apresentado.

Um comentário:

Matheus disse...

Parabéns por mais essa conquista. O Blog é realmente muito bom!