segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Se quisermos podemos ser criança

Na data em que comemoramos o dia das crianças, lembro-me das palavras do Mestre Jesus na ocasião em que levaram crianças para que Ele as tocasse e os discípulos tentaram impedi-las de se aproximarem dele. Jesus indignou-se e disse-lhes que não deveriam impedi-las, porque o Reino de Deus era das crianças. Depois disso, as tomou nos braços e as abençoou.

Como de costume, o Mestre falou em parábolas, que são narrações figurativas nas quais, por meio de comparação, os elementos evocam outras realidades, tanto fantásticas, quanto reais. A característica de uma parábola é ser protagonizada por humanos para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas.

É lógico que o Reino de Deus não foi criado apenas para crianças — se estas forem vistas apenas como humanos com poucos anos de idade — mesmo porque, com o avanço da medicina e com a melhora de alguns aspectos sociais, a cada ano que passa o número de óbitos intantis tem diminuído. Jesus quis dizer que os céus estão reservados para aqueles que têm alguma semelhança com os pequeninos, mas qual semelhança seria essa?

Se observarmos uma criança, um pequeno humano que começa a dar seus primeiros passos e a se relacionar com o próximo, perceberemos que não são simplesmente seres imaturos ou ingênuos; são seres que ainda possuem as qualidades que perdemos há anos e que são requisitadas por Deus para que tenhamos acesso a seu Reino de paz e repouso.

Com o passar dos anos, acabamos sendo convencidos de que devemos fazer o mal porque todo mundo faz; mas, se acreditarmos nisso, será o mal que vencerá o bem e não o contrário. Quem quiser ter Deus e os santos como companhia em uma vida eterna, deverá se fazer como um daqueles pequenos de que falou Jesus. Das qualidades infantis que merecem destaque, talvez as mais importantes sejam a simplicidade, as mãos limpas e o coração puro.

A criança é pura porque nunca viu a corrupção, suas mão são limpas porque nunca fizeram o mal. O adulto já teve essas experiências, porém, voluntariamente, deve buscar sua condição anterior e tentar a cada dia deixar de fazer uma coisa ruim. Entenda-se coisa ruim como algo que prejudica o próximo ou a si próprio; logo, desagrada ao Criador de nós todos.

A perfeição não existe, entretanto devemos nos convencer de que temos muito a ser mudado e que precisamos dessa mudança para melhorar nosso relacionamento com o próximo, conosco e, consequentemente, com Deus. Dizer que não erramos é mentira. Pensar que não precisamos de mudança é loucura. Rejeitar a vida eterna ao lado de Deus e dos demais fiéis é burrice. Devemos querer e vale a pena tentar.

Há quem pense que Deus não exite, tampouco Sua morada. Dessa forma, esse policiamento, essa busca de aperfeiçoamento não seriam necessários. Gosto de fazer uma pequena reflexão. Suponhamos que alguém que tenha se policiado por boa parte de sua vida e que reconheça sua imperfeição morra e perceba que o outro lado não existe, que tudo o que lhe disseram é mentira, puro fruto da imaginação humana. Caso exista alguma posibilidade de reflexão, essa pessoa se arrependerá de não ter se permitido algumas coisas, mas jamais se arrependerá do bom relacionamento com o próximo, consigo e dos bons frutos colhidos.

Continuemos a reflexão e imaginemos situação oposta. Pensemos em alguém que nunca tenha se policiado, que nunca tenha se privado de nada, por acreditar que não existe alguém que requeira de nós boa conduta. Suponhamos que esse indivíduo dê seu último suspiro aqui e se prepare para o nada, para a escuridão. Para essa pessoa não existe o outro lado, tudo se resume a esta vida, o resto é ilusão. Pois bem, se não encontrar nada do outro lado, ela estava certa; mas, e se ela fechar os olhos aqui e abrir em outra vida? Já pensou o que poderia acontecer se essa pessoa que nunca acreditou em nada se deparasse com o Criador?

Caso essa pessoa tivesse tentado fazer coisas boas, evitar as ruins e tivesse sempre o desejo de melhorar e de ajudar o próximo, com certeza a bondade divina acharia alguma forma de abrir as portas do paraíso e receber quem, apesar de não ter conseguido, sempre buscou o bem.

Da mesma forma que nunca ninguém voltou para dizer que o céu existe, nunca ninguém voltou para dizer que não existe outra vida ou vida eterna. É bom não arriscar! Contemos com a possibilidade de nos encontramos com alguém que é mais poderoso que nós e que pode nos requerer bom comportamento nesta vida.

Voltemos às crianças. A cada manhã recebemos o convite da vida para voltarmos a ser crianças que não fazem mal para si, nem para o próximo, nem para a natureza. Todo dia é dia de recomeçar, de reescrever nossa história, de nascer de novo. Não sejamos otimistas ao extremo, a ponto de pensar que eliminando o que consideramos ruim em nossas vidas hoje seremos perfeitos. À proporção que melhorarmos, veremos que podemos melhorar mais. Dia após dia, em um exercício contínuo. Não acredito que conseguiríamos nos livrar de tudo o que precisamos, mas, se conseguíssemos, o próprio Criador nos tomaria para si, o que não seria de todo ruim.

Convite feito. Voltemos a ser criança! Como sabemos, não há quem resista ao olhar das crianças e dizem que o mundo está nas mãos delas. Se voltarmos a ser criança voluntariamente, dividiremos essa responsabilidade com elas e faremos o que deve ser feito para o progresso da humanidade mais rapidamente. Feliz dia das crianças a todos nós, que, mesmo tendo muitos anos, acreditamos na vida e que o amanhã será bem melhor.

Um comentário:

Escola Montese disse...

Somente uma mente como a sua para nos brindar com esses incríveis textos.

Leonel