Tenho refletido nesses últimos dias que a vida em sociedade se torna cada vez mais difícil à medida que o indivíduo se esquece de suas responsabilidades e as atribui ao outro. Desde o começo da humanidade, a história é a mesma. Lembremos do que ocorreu no Jardim do Éden: alguém recebeu uma responsabilidade, não a desempenhou como deveria e, quando foi cobrado, atribuiu culpa à pessoa mais próxima.
Deus confiou a Adão, primeiro representante da obra-prima de Sua criação, a incumbência de crescer, frutificar e cuidar do jardim. Sobre tudo teria domínio, de tudo poderia comer, exceto do fruto da árvore que lhe daria conhecimento do bem e do mal. Além de todos os benefícios oferecidos, Adão ganhou uma companheira, Eva, para que não se sentisse muito só no Jardim das Delícias.
Certo dia, no horário de costume, o Criador perguntou a Adão se ele tinha comido do fruto proibido. Adão respondeu conforme sua conveniência e disse: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi”. Eva, por sua vez, disse que a serpente, a mais astuta de todos os animais terrestres, tinha-lhe oferecido o fruto, e ela comeu. Como a serpente não conseguiu se defender, passou a representar o mal.
Comportamentos semelhantes ao descrito acima são encontrados a todo momento. Pessoas gostam de poder, benefícios, companhia, mas não gostam de assumir responsabilidades. Percebe-se que a insubordinação e o individualismo destroem relacionamentos sociais e profissionais, além das próprias pessoas em longo prazo.
Atribuir a si próprio a responsabilidade de resolver problemas, achar soluções e auxiliar o próximo não é tarefa fácil, mas é uma maneira segura de resolver problemas que se arrastam na sociedade há anos. Nem sempre a culpa é do outro. E nesse engano seguem ideologias que atribuem ao carma a origem de insatisfações e desventuras. Muitas vezes somos os únicos responsáveis por insucessos, mas somos incapazes de admitir o fracasso.
Levando-se em consideração que o homem é um ser dotado de raciocínio, apesar de saber que alguns não gostam de raciocinar, é comum que se questionem normas e regulamentos estabelecidos pela sociedade, porém a simples ignorância não tem o poder de alterar uma realidade estabelecida. Deve-se questionar tudo aquilo com que não se concorda, de forma lógica e convincente, buscando a melhor maneira de se adaptar ao sistema do qual se faz parte, a não ser que se queira viver sozinho na lua.
Há uma máxima que diz que as regras existem para serem quebradas. Será isso adequado? Um pouco desse pensamento se deve à cultura do indivíduo, haja vista os exemplos de povos europeus ou asiáticos que se orgulham de cumprirem o que foi estabelecido para o benefício da coletividade. Nessas sociedades, o coletivo se sobrepõe ao pessoal e os interesses coletivos acabam conduzindo os interesses individuais. Não se está afirmando que esse modelo social seja ideal, mas se reconhece que essas sociedades têm apresentado melhores resultados socioeconômicos e melhores índices de satisfação ou qualidade de vida que outras.
Quando alguém assume uma postura ativa na vida, especialmente na resolução de problemas, a tendência é que se pare de culpar o outro e se apresente uma saída para que ele ou ela não erre mais. Quando reconhecemos nossos erros, temos a oportunidade de transformar nosso comportamento e mudar o ambiente em que vivemos. Aprender com os erros, nossos e dos outros, é positivo no sentido de fazer com que a vida seja melhor. Devemos reconhecer nossos erros, cada um o seu, e ajudar naquilo que for possível. Lembrar que a culpa não foi da Eva faz de cada Adão um ser mais consciente.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
A culpa não foi da Eva
terça-feira, 9 de março de 2010
D2sv4g1l^2s
F1z m53t4 t2mp4 q52 p2ns23 2m 5m1 m1n23r1 d3f2r2nt2 d2 2scr2v2r 5t3l3z1nd4 1 pr´4pr31 l´3ng51 p4rt5g52s1 c4m l3g23r1 1lt2r1ç~14. 23s q52 s5rg35 4 “d2sv4g1l^2s”, q52 ´2 4 pr´4pr34 p4rt5g5^2s s2m 1s v4g13s. N4 l5g1r d2l1s, c4l4c1m-s2 4s n´5m2r4s. C4m4 t2m4s c3nc4 gr1f2m1s q52 r2pr2s2nt1m 1s v4g13s, t2m4s 4s n´5m2r4s d2 5m 1 c3nc4 n1s p1l1vr1s d2st1 gr1f31 n4v1.
C4m4 s23 q52 1 c5r34s3d1d2 h5m1n1 ´2 3nf3n3t1, cr234 q52 m53t1 g2nt2 t2nt1r´1 d2sc4br3r 4 q52 2st´1 2scr3t4 1q53. 2st1v1 2scr2v2nd4 c43s1s m53t4 s´2r31s 2 r2s4lv3 br3nc1r 5m p45c4. V4c^2 d2v2 t2r p2rc2b3d4 q52 n4 f5nd4 n~14 2st´1 2scr3t4 n1d1, m1s q52 ´2 l2g1l, ´2. C1s4 t2nh1 l3d4 t5d4, f1ç1 5m1 pr4p1g1nd1 d2st2 bl4g, v1l25?!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Língua Latina e Língua Portuguesa: Analogias e Contrastes III
“Para se saber sintaxe, deve-se conhecer bem a morfologia”. Com essas palavras, a professora Flora iniciou sua aula do dia 27/02/2010, observando que Fonologia + Morfologia + Sintaxe = Gramática. Inicialmente far-se-á uma revisão da morfologia com análise sintática de frases simples, e só depois, quando a sintaxe for estudada, é que se analisarão frases mais complexas. Os principais tópicos abordados nesse dia foram: sujeito, complemento nominal com a preposição de, objeto indireto com as preposições a e para, objeto direto e verbos de ligação.
A primeira frase analisada nesse dia foi O livro de Maria é interessante , em que o O é um adjunto adnominal do sujeito; livro é o núcleo do sujeito; de Maria pode ser um complemento nominal ou um adjunto adnominal preposicionado, considerando que Maria pode ser autora, leitora, portadora ou proprietária do livro. Fez-se questão de nomear de Maria como um adjunto adnominal preposicionado, para diferenciá-lo de um adjunto adnominal formado por um adjetivo, como em interessante.
Ressalta-se que não é simples a diferenciação entre adjunto adnominal e complemento nominal. Em certos casos, por ser a frase ambígua, faz-se necessário que se entenda o real significado para uma análise adequada, como no exemplo A resposta do aluno foi satisfatória. Caso se interprete a frase como “O aluno respondeu”, do aluno será um adjunto adnominal. Caso se interprete a frase como “O aluno foi respondido”, do aluno será um complemento nominal. Para se escrever bem uma redação, com lógica e concatenação de ideias, devem-se conhecer os instrumentos da morfossintaxe.
O exemplo O livro do meu menino é interessante trata da diferente classificação que o Latim tem para o vocábulo meu. Em Português, meu é classificado morfologicamente como um pronome possessivo; do menino é um adjunto adnominal preposicionado ou um complemento nominal. Em Latim, meu é um adjetivo possessivo, visto que acompanha o substantivo. No exemplo O livro do meu menino é ruim, mas o teu é interessante,o vocábulo teu é um pronome possessivo em Latim, visto que substitui o substantivo livro.
Em certo momento, a professora pediu que seus alunos citassem exemplos de frases com objeto indireto. Os exemplos foram: 1) Necessito de uma nova gramática; 2) Preciso de sua ajuda; 3) Gosto de teu vestido; 4) Comprei flores para minha mãe e 4) Entreguei o livro ao Paulo. Para a maior parte dos gramáticos brasileiros, “de uma nova gramática”, “de sua ajuda” e “de teu vestido” tratam-se de objetos indiretos, com exceção de Bechara, que os vê como complementos relativos, visto que não podem ser substituídos pelo pronome oblíquo lhe. Segundo a gramática latina, dos cinco exemplos citados acima, os verdadeiros objetos indiretos são “à pátria” e “ao menino”, por serem os seres a quem se destina a ação verbal.
Semelhantemente, nos exemplos 1) Eu sou útil à pátria e 2) Agi contrariamente às regras, tem-se objetos indiretos em “à pátria” e “às regras”. Em Português, à pátria e às regras são complementos nominais. Já no exemplo Eu falo de você, tem-se em de você um objeto indireto do Português, mas um adjunto adverbial de argumento do Latim.
Ao término da aula, fez-se uma lista dos verbos de ligação e em seguida analisaram-se frases em que esses mesmos verbos têm outra transitividade, como se vê nos exemplos seguintes. Em João ficou em Roma, o verbo ficou, que tradicionalmente é de ligação aparece como intransitivo. Observou-se que em Latim não há tantos verbos de ligação como em Português. Apenas o verbo sum, es, esse, fui, que pode ser traduzido como ser, estar, haver, existir ou morar é de ligação em Latim.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Língua Latina e Língua Portuguesa: Analogias e Contrastes II
Em sua segunda aula, 13/02/2010, a professora Flora Simonetti entregou a seus alunos a ementa de sua disciplina e teceu comentários sobre a bibliografia e o conteúdo programático. Deste, os três itens comentados foram introdução, fonologia e morfologia. A introdução foi feita na aula anterior, quando se falou sobre o Latim Vulgar como a origem do Português. A fonologia será estudada de forma geral e a morfologia será o próximo ponto alto das aulas, visto que conhecimentos morfológicos são necessários para se entender a sintaxe.
A professora fez um breve comentário sobre as diversas classes gramaticais e suas semelhanças e diferenças em Língua Latina e em Língua Portuguesa. Em relação aos verbos, foi explicado por que o verbo pôr pertence à segunda conjugação do Português. O Latim possuía quatro conjugações. A primeira, com a terminação āre; a segunda com ēre; a terceira, com ĕre e a quarta com ĭre. Com o passar do tempo, a quantidade da terceira conjugação latina mudou de breve para longa e, com isso, os verbos foram abarcados pela segunda conjugação.
O verbo pôr e seus derivados pertencem em Português à segunda conjugação porque o verbo latino ponĕre passou pelas seguintes transformações: ponĕre - ponēre - poner - poer - pôr. Da primeira para a segunda fase exposta acima houve uma mudança na quantidade da vogal e de breve para longa; da segunda para a terceira, houve uma apócope; da terceira para a quarta, houve a supressão da consoante nasal e da quarta para a quinta, a vogal e foi assimilada pela vogal o.
Ressalta-se que o acento circunflexo foi colocado para que se diferencie o verbo pôr da preposição por. A maioria dos acentos diferenciais foi abolida pelo novo acordo ortográfico, mas os pares pôr (verbo) / por (preposição e pôde (pretérito) / pode (presente) permanecerão obrigatórios. Em síntese, a terceira conjugação latina foi absorvida pela segunda. Todos os verbos derivados do verbo pôr pertencem à segunda conjugação portuguesa.
Ao falar sobre o pronome, que deriva do Latim pro nomine, algumas frases com pronomes relativos foram criadas para posterior análise. A primeira frase foi Os meninos, que eu encontrei, são meus amigos. Neste caso, o pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa e tem a função sintática de um objeto direto. A segunda frase foi Os meninos, que estudaram muito, foram aprovados. Novamente o pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa, porém sua função sintática, neste caso, é de sujeito da oração a que pertence. Dentre outros exemplos, fez-se a distinção entre o pronome relativo que e a conjunção integrante que, no caso das orações subordinadas substantivas.
Ainda sobre os pronomes relativos, a professora pediu um exemplo de oração com o relativo cujo. O exemplo dado por um aluno, que inclusive foi questão de concurso, foi: Ele é o homem de cujos méritos não se podem duvidar. Em seguida, criou-se um debate acerca da preposição de diante do relativo cujo no exemplo dado, porque alguns a acharam dispensável, visto que o relativo cujo e suas flexões já expressam ideia de posse.
Lembra-se que em alguns casos faz-se necessário que se coloque diante do relativo cujo e suas flexões a preposição exigida pelo verbo em função da regência, conforme pode ser visto na gramática de Evanildo Bechara*. Por exemplo: 1) O jogo, a cujo final não assistimos, acabou empatado. 2) O funcionário em cujas palavras não acreditei está de partida. 3) O professor de cujas experiências discordo está lecionando na cidade. 4) O jogo por cujo resultado ansiamos está na iminência de acabar. 5) O cantor com cujas músicas você simpatiza é bem versátil.
Por fim, a professora pediu que os alunos pesquisassem sobre o tema acima e que preparassem para a próxima aula algumas frases com pronome relativo, verbos de ligação em função diferente da tradicional e adjunto adnominal.
* BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. 16ª reimpressão. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2006. Edição Revista e Ampliada. p. 202.
Língua Latina e Língua Portuguesa: Analogias e Contrastes I
No primeiro dia de aula, 06/02/20010, Flora Simonetti fez a apresentação de sua disciplina, Língua Latina e Língua Portuguesa: analogias e contrastes sintáticos, falando sobre os principais temas que serão abordados ao longo do curso.
Um dos primeiros pontos abordados foi o resquício do particípio presente latino no Português. A professora deu o exemplo dos adjetivos derivados de verbos que possuem nt em sua terminação, como fervente (que ferve) e amante (que ama). Foi destacado que o português conserva o particípio passado, como amada no exemplo “Flora, amada por todos, chegou”.
Ainda falando sobre formas verbais, críticas foram feitas em relação à maneira como se denominam certas formas verbais em português. Por exemplo, orai é uma forma genuinamente imperativa, visto que quem diz isso está dando uma ordem, fazendo um pedido ou dando uma sugestão aos ouvintes. Entretanto, a forma verbal oremos não se trata de modo imperativo, mas da 3ª pessoa do presente do indicativo exortativo. É possível que o falante opte pela forma oremos na tentativa de dar um tom menos impositivo à sua fala.
Segundo análise da professora, o futuro do pretérito não deveria pertencer ao modo indicativo, visto que este modo dá conta das certezas e não das possibilidades. No exemplo “Iria à escola se não chovesse”, a forma iria deixa claro que a ida à escola não dependia apenas da vontade do falante, mas de um fator externo, no caso a ausência de chuva. Registra-se que havia nas gramáticas de português no Brasil o modo condicional, que apresenta a ação, a qualidade ou o estado como dependentes de uma condição.
Observou-se também que o aposto nunca será um adjetivo, mas sempre um substantivo. No exemplo “Lula, presidente do Brasil, está terminando seu mandato”, tem-se o substantivo presidente como núcleo do aposto.
Outro ponto interessante desta aula foi a ressalva de que, para se analisar precisamente uma oração reduzida, faz-se necessário transformar o que está implícito em uma forma explícita. Por exemplo, para analisar a oração “Tendo feito exercícios, fui aprovado no exame”, é necessário que se desenvolva o que está reduzido. A oração desenvolvida Depois que eu fiz exercícios indica que tal oração é subordinada adverbial temporal.
Para encerrar, foi feito um esclarecimento sobre o que seria latim clássico e latim vulgar. A professora explicou que o Latim era uma única língua e não duas, como muitos pensam. O latim clássico era a modalidade usada nos ambientes que cultivavam a forma mais apurada da língua e o Latim vulgar era a língua que o povo usava nas situações do cotidiano. Destacou-se que o Latim eclesiástico trata-se do Latim clássico ligeiramente alterado em sua sintaxe, visto que o objetivo da Igreja era oferecer uma linguagem fácil, para que o Evangelho atingisse o maior número possível de pessoas.
Ao falar sobre as pronúncias do Latim, a professora Flora deixou claro que a pronúncia reconstituída, como qualquer coisa reconstituída, possui algo das pessoas que fizeram a reconstituição e se distancia da pronúncia original. Ficou claro que é leviano dizer que os italianos falam Latim como se fosse italiano, porque esta língua deriva daquela. Portanto, o italiano tem sua pronúncia originária do Latim, e não o inverso.
No final da aula, a professora disse que em momento oportuno disponibilizará bibliografia e apostila para que se acompanhem suas aulas de forma mais organizada. No encerramento, foi dito aos alunos que resumos de cada aula devem sem feitos e entregues à professora na aula seguinte, como instrumento de avaliação. Este resumo trata-se do primeiro a ser apresentado.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Se quisermos podemos ser criança
Na data em que comemoramos o dia das crianças, lembro-me das palavras do Mestre Jesus na ocasião em que levaram crianças para que Ele as tocasse e os discípulos tentaram impedi-las de se aproximarem dele. Jesus indignou-se e disse-lhes que não deveriam impedi-las, porque o Reino de Deus era das crianças. Depois disso, as tomou nos braços e as abençoou.
Como de costume, o Mestre falou em parábolas, que são narrações figurativas nas quais, por meio de comparação, os elementos evocam outras realidades, tanto fantásticas, quanto reais. A característica de uma parábola é ser protagonizada por humanos para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas.
É lógico que o Reino de Deus não foi criado apenas para crianças — se estas forem vistas apenas como humanos com poucos anos de idade — mesmo porque, com o avanço da medicina e com a melhora de alguns aspectos sociais, a cada ano que passa o número de óbitos intantis tem diminuído. Jesus quis dizer que os céus estão reservados para aqueles que têm alguma semelhança com os pequeninos, mas qual semelhança seria essa?
Se observarmos uma criança, um pequeno humano que começa a dar seus primeiros passos e a se relacionar com o próximo, perceberemos que não são simplesmente seres imaturos ou ingênuos; são seres que ainda possuem as qualidades que perdemos há anos e que são requisitadas por Deus para que tenhamos acesso a seu Reino de paz e repouso.
Com o passar dos anos, acabamos sendo convencidos de que devemos fazer o mal porque todo mundo faz; mas, se acreditarmos nisso, será o mal que vencerá o bem e não o contrário. Quem quiser ter Deus e os santos como companhia em uma vida eterna, deverá se fazer como um daqueles pequenos de que falou Jesus. Das qualidades infantis que merecem destaque, talvez as mais importantes sejam a simplicidade, as mãos limpas e o coração puro.
A criança é pura porque nunca viu a corrupção, suas mão são limpas porque nunca fizeram o mal. O adulto já teve essas experiências, porém, voluntariamente, deve buscar sua condição anterior e tentar a cada dia deixar de fazer uma coisa ruim. Entenda-se coisa ruim como algo que prejudica o próximo ou a si próprio; logo, desagrada ao Criador de nós todos.
A perfeição não existe, entretanto devemos nos convencer de que temos muito a ser mudado e que precisamos dessa mudança para melhorar nosso relacionamento com o próximo, conosco e, consequentemente, com Deus. Dizer que não erramos é mentira. Pensar que não precisamos de mudança é loucura. Rejeitar a vida eterna ao lado de Deus e dos demais fiéis é burrice. Devemos querer e vale a pena tentar.
Há quem pense que Deus não exite, tampouco Sua morada. Dessa forma, esse policiamento, essa busca de aperfeiçoamento não seriam necessários. Gosto de fazer uma pequena reflexão. Suponhamos que alguém que tenha se policiado por boa parte de sua vida e que reconheça sua imperfeição morra e perceba que o outro lado não existe, que tudo o que lhe disseram é mentira, puro fruto da imaginação humana. Caso exista alguma posibilidade de reflexão, essa pessoa se arrependerá de não ter se permitido algumas coisas, mas jamais se arrependerá do bom relacionamento com o próximo, consigo e dos bons frutos colhidos.
Continuemos a reflexão e imaginemos situação oposta. Pensemos em alguém que nunca tenha se policiado, que nunca tenha se privado de nada, por acreditar que não existe alguém que requeira de nós boa conduta. Suponhamos que esse indivíduo dê seu último suspiro aqui e se prepare para o nada, para a escuridão. Para essa pessoa não existe o outro lado, tudo se resume a esta vida, o resto é ilusão. Pois bem, se não encontrar nada do outro lado, ela estava certa; mas, e se ela fechar os olhos aqui e abrir em outra vida? Já pensou o que poderia acontecer se essa pessoa que nunca acreditou em nada se deparasse com o Criador?
Caso essa pessoa tivesse tentado fazer coisas boas, evitar as ruins e tivesse sempre o desejo de melhorar e de ajudar o próximo, com certeza a bondade divina acharia alguma forma de abrir as portas do paraíso e receber quem, apesar de não ter conseguido, sempre buscou o bem.
Da mesma forma que nunca ninguém voltou para dizer que o céu existe, nunca ninguém voltou para dizer que não existe outra vida ou vida eterna. É bom não arriscar! Contemos com a possibilidade de nos encontramos com alguém que é mais poderoso que nós e que pode nos requerer bom comportamento nesta vida.
Voltemos às crianças. A cada manhã recebemos o convite da vida para voltarmos a ser crianças que não fazem mal para si, nem para o próximo, nem para a natureza. Todo dia é dia de recomeçar, de reescrever nossa história, de nascer de novo. Não sejamos otimistas ao extremo, a ponto de pensar que eliminando o que consideramos ruim em nossas vidas hoje seremos perfeitos. À proporção que melhorarmos, veremos que podemos melhorar mais. Dia após dia, em um exercício contínuo. Não acredito que conseguiríamos nos livrar de tudo o que precisamos, mas, se conseguíssemos, o próprio Criador nos tomaria para si, o que não seria de todo ruim.
Convite feito. Voltemos a ser criança! Como sabemos, não há quem resista ao olhar das crianças e dizem que o mundo está nas mãos delas. Se voltarmos a ser criança voluntariamente, dividiremos essa responsabilidade com elas e faremos o que deve ser feito para o progresso da humanidade mais rapidamente. Feliz dia das crianças a todos nós, que, mesmo tendo muitos anos, acreditamos na vida e que o amanhã será bem melhor.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
O medo da gripe
Se quisermos nos prevenir contra a gripe suína, a gripe A H1N1, ou seja lá o que for, precisamos evitar atividades que nos obriguem a ficar em ambientes fechados ou que nos obriguem a compartilhar utensílios com alguém, pelo risco de entrar em contato com algum fluido corporal contaminado pelo vírus.
Primeiro, não sei para que a Organização Mundial da Saúde mudou o nome da gripe. A nova gripe com nome de suína não fez com que eu deixasse de comer meu carré com salada. Já que vivemos em um mundo globalizado e valorizamos tanto a cultura norte-americana, deveriam ter batizado a nova epidemia com o nome de gripe do pig. Segundo, será que todos conhecem o significado de “fluidos corporais”? O povão conhece os fluidos corporais de vista, mas não por esse nome... De qualquer modo, vida que segue.
Sei que nessas horas aparecem vários especialistas. Devemos dar-lhes crédito, mas não podemos nos desesperar. Conheço pessoas que não oferecem mais um golinho do refrigerante ou cerveja por medo da gripe; não vão ao cinema ou teatro por medo da gripe; desmancharam com a namorada por medo da gripe... Por favor, não é possível que todo lugar fechado e todo fluido passe gripe! Como não sou médico ou epidemiologista, isso não é da minha alçada. Deixe para lá, devo preocupar-me com o acento agudo no i do suína, só isso.
Amigos, só sei dizer que a prima pobre da gripe espanhola está dando o que falar. Para você ter uma ideia, ela, a gripe, foi a culpada por mais um arranca-rabo da Linha 2 do metrô.
Há uns 15 dias eu estava naquela lata de sardinha chamada Linha 2, rezando para chegar logo ao meu destino. Gosto de ler na condução, mas com o vagão lotado uma pessoa que está em pé dificilmente consegue ler alguma coisa. Sobra uma das mãos para segurar o livro, mas falta espaço para mantê-lo afastado do nariz. Como não se tem paisagem para se ver através da janela, só nos resta acompanhar as coisas que acontecem dentro do próprio vagão.
Alguns comportamentos são de praxe, comuns: pessoas que não vão descer, mas ficam paradas na porta; pessoas que carregam a casa dentro de suas enormes bolsas; gente que não sabe o que é um desodorante há tempo, etc. Mas o mais interessante e diversificado é o papo dos passageiros. São reclamações de marido, esposa, chefe e vizinho; planos para festas e viagens; debates acadêmicos e outros. De todos, o que mais atrai audiência e desperta do sono é o bate-boca. Quando as ofensas e ameaças começam o sono termina. Os palavrões chegam e nossa estação, não; mas não importa, agora temos diversão.
Realmente não se deve mexer com quem está quieto. Uma senhora cheia de bolsas já estava no vagão quando entrei. Ela segurava uma bolsa com a mão esquerda e se segurava com a outra. Com as pernas ela apoiava mais umas duas bolsas que estavam no chão. No meio do trajeto, um dos assentos perto da mulher ficou vago. Como ela não mostrou a intenção de se sentar, mais do que depressa um cara se espremeu, passou pelas pessoas, pela mulher e bolsas e sentou. Não critico a pressa para conseguir o lugar, apesar de ele ter empurrado todo mundo, mas que ele podia ter saído do metrô sem ouvir o que ouviu, podia.
Do nada, a mulher das bolsas espirrou. Tudo bem que ela não colocou a mão na frente e uma coisinha ou outra caiu no cara que acabara de se sentar, mas, poxa, não era uma bomba atômica; era apenas um espirro. Tudo bem que poderia ser uma bomba de gripe suína, mas temos que acreditar que lá em cima existe alguém olhando por nós também, gente.
Os demais passageiros se afastaram, esperando por um próximo tiro certeiro, quer dizer, espirro, mas ele não veio. A mulher ficou sem graça. Ninguém espirra porque quer, muito menos nestes dias de epidemia em que as pessoas olham quem espirra como uma fonte de bactérias ou vírus. Depois de um tempinho todos ficaram confiantes e voltaram para seu lugar, mas eis que o cara que fora alvo dos perdigotos olhou para a mulher e começou a alfinetar.
— O lencinho! — E a mulher fez que não era com ela. Aí o cara reforçou.
— Quando for assim, antes de cuspir nos outros, a senhora pega um lenço ou bota a mão na frente!
Naquele vagão não havia lugar para mais nada. A mulher procurou lugar para enfiar a cara e não achou.
— O senhor acha que espirrei por querer?! Alguém espirra porque quer?! — E o tom de voz foi aumentando.
O cara podia ter ficado calado. A discussão estava no um a um, mas ele não quis...
— Não é possível que dentro dessas bolsas todas a senhora não tenha um lencinho... — Dizendo isso ele assinou sua sentença. A esse momento eu já tinha até esquecido da estação em que desceria. Quem estava com seu MP3 no ouvido tratou de tirá-lo depois que as caras e bocas começaram.
— Sabe de uma coisa, moço, eu não estou gripada, não. Isso deve ser alergia. Olha que eu estava boazinha, mas, de repente, comecei a sentir cheiro de roupa velha e guardada. Não foi o senhor quando passou, não!? Meu problema não foi falta de lenço. O senhor não está vendo que só tenho duas mãos? Com uma seguro a bolsa e com a outra me seguro.
O homem ficou vermelho de raiva, e a mulher falou tudo o mais que lhe veio à mente, até que o cara resolveu descer e a paz voltou a reinar no vagão. Como não havia mais nada para me distrair, fui obrigado a retornar à realidade e tomar cuidado para não passar da minha estação. Pois é, o medo da gripe pode causar mais problemas do que eu imaginava.
